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Reforma Tributária · Energia · 21 de outubro de 2026 · 4 min de leitura
TributárioGestão

Sua conta de luz também vai sentir a reforma tributária

Torres de transmissão de energia elétrica silhuetadas contra o céu ao entardecer
A ANEEL abriu consultas públicas para decidir como tirar o PIS e a Cofins do preço da energia antes da chegada do IBS e da CBS.

Em 20 de outubro, a diretoria da ANEEL aprovou, por unanimidade, abrir duas consultas públicas de 10 dias pra resolver uma conta que ninguém tinha fechado ainda: o que fazer com o PIS e a Cofins — que hoje estão escondidos dentro do preço da energia — quando eles somem em 1º de janeiro de 2027 e entram o IBS e a CBS no lugar.

Parece papo de gente grande, de setor elétrico, mas o efeito final cai direto na conta: se a conta fecha errado, alguém paga a mais ou a menos — e geralmente quem paga a diferença é o consumidor, lá na ponta.

O que está em jogo nas duas consultas

A primeira consulta trata dos contratos regulados de geração e comercialização de energia — aqueles que formam boa parte do preço que você vê na fatura (CCEARs, energia de reserva, Proinfa, contratos bilaterais regulados). A ideia é simples de explicar, mesmo sendo complicada de fazer: tirar o PIS e a Cofins que já estavam embutidos nesses contratos, usando as alíquotas de 3,65% (regime cumulativo) e 9,25% (não cumulativo) pra calcular o desconto. Só entram nesse ajuste os preços combinados antes de 16 de janeiro de 2025 — data em que a lei da reforma (LC 214/2025) foi publicada.

A segunda consulta é sobre um problema mais técnico: distribuidoras e transmissoras de energia têm créditos de PIS e Cofins "guardados" dentro de obras e equipamentos que ainda não foram totalmente usados. A ANEEL quer devolver esse crédito pro consumidor — com correção pela Selic — através de um desconto na tarifa, em vez de deixar esse dinheiro simplesmente sumir na conta da empresa.

Quem responde às consultas: geradoras, comercializadoras, distribuidoras e transmissoras de energia elétrica. Mas o efeito final chega no consumidor através da tarifa — principalmente quem tem contrato de energia livre ou regulado, ou consumo intenso (indústria, comércio de grande porte).

Por que isso não é só "problema de empresa de luz"

Toda vez que um imposto sai do meio da cadeia e outro entra no lugar, alguém precisa recalcular o preço pra que a conta não suba nem desça por acidente. É exatamente isso que a ANEEL está tentando regular agora, com prazo pra terminar: a agência já avisou que pretende publicar uma Resolução Normativa sobre o assunto ainda este ano.

Se sua empresa consome muita energia ou tem contrato direto com geradoras e comercializadoras, essa regra vai pesar na sua planilha de custos a partir de 2027. Se você é consumidor residencial ou de pequeno comércio, o efeito chega de forma mais indireta — pela tarifa da sua distribuidora — mas chega.

O que fazer enquanto a regra não sai

Sua empresa tem contrato de energia e não sabe como a reforma vai pesar nele?

No Diagnóstico de Adequação à Reforma Tributária, mapeamos os contratos e custos da sua empresa que vão mudar com o IBS e a CBS — incluindo energia, pra você não descobrir o impacto só quando a conta já tiver subido.

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Melhor entender o impacto agora do que descobrir só na fatura de 2027.
Fontes: ANEEL (voto do diretor-relator Gentil Nogueira, aprovado em 20 de outubro de 2026), Nota Técnica Conjunta nº 19/2026 e nº 15/2026, Lei Complementar nº 214/2025.