Leactis LEACTIS BLOG
← Voltar ao blog
Propriedade Intelectual · 15 de julho de 2026 · 3 min de leitura
JurídicoGestão

Uma das marcas mais fortes do país foi barrada pelo INPI

Martelo de juiz e balança da justiça sobre mesa de madeira
O INPI negou o registro da marca CazéTV justamente na classe que sustenta o negócio: entretenimento e produção audiovisual.

Um dos maiores canais de audiência do Brasil acabou de aprender, do jeito mais caro possível, que fama não é a mesma coisa que proteção jurídica. O INPI negou o pedido de registro da marca CazéTV — o canal que transmite jogos de futebol e outros eventos esportivos com dezenas de milhões de inscritos — justamente na classe que sustenta o negócio dele.

O que aconteceu

O pedido de registro da marca CazéTV foi depositado no INPI em janeiro de 2023, na Classe 41 — a classe que cobre entretenimento, jornalismo, produção de conteúdo audiovisual e programas de televisão. Em janeiro de 2026, o pedido foi indeferido.

O motivo: já existia um registro anterior contendo o radical "Casé", na mesma classe. Segundo o INPI, a coexistência de marcas parecidas no mesmo segmento pode confundir o consumidor e gerar associação indevida entre elas. O processo agora está em fase de recurso — a equipe jurídica da CazéTV Produções Ltda. ainda pode contestar a decisão.

O princípio por trás da decisão

Isso ilustra bem como funciona a proteção de marca no Brasil: ela é dividida por classes, não por fama ou faturamento. Ter uma marca reconhecida, com audiência gigante e contratos milionários, não garante automaticamente exclusividade — o que garante é o registro, na classe certa, antes que outra pessoa registre algo parecido primeiro.

Na prática: duas marcas podem, sim, coexistir legalmente, desde que estejam em classes diferentes (por exemplo, uma de vestuário e outra de alimentos). O problema aparece quando as marcas disputam o mesmo segmento — foi exatamente o que aconteceu aqui.

Por que isso importa pra qualquer negócio

Esse caso ganhou destaque por envolver uma marca grande e visível, mas o risco é o mesmo pra negócio de qualquer tamanho. Reconhecimento de mercado se constrói com tempo, conteúdo e audiência — mas isso não vira proteção jurídica sozinho. Sem o registro formal, um negócio fica exposto a disputas que podem custar a própria identidade da marca, mesmo depois de anos investindo nela.

O que fazer pra não passar por isso

Fonte: processo INPI nº 929.093.860.