Leactis LEACTIS BLOG
← Voltar ao blog
Receita Federal · Atualizado em 11 de julho de 2026 · 3 min de leitura
TributárioPessoa Física

Cashback do IRPF: o guia completo do lote especial de restituição

Notas de Real brasileiro sobre fundo escuro
A restituição automática, batizada de 'cashback do IRPF', é uma iniciativa piloto da Receita Federal.

No dia 15 de julho de 2026, a Receita Federal deposita, de uma só vez, cerca de R$ 460 milhões em restituições para aproximadamente 3,5 milhões de contribuintes que, até então, nem sabiam que tinham esse dinheiro a receber. É o chamado cashback do IRPF, um projeto-piloto de restituição automática. Neste artigo, explicamos o mecanismo por trás da medida, quem exatamente tem direito, a base legal e o que fazer caso você não seja contemplado.

O que é, na prática

Todos os anos, milhões de brasileiros têm Imposto de Renda retido na fonte — em salários, prestação de serviços, resgates de aplicações financeiras, entre outros — mas não atingem os limites que obrigam a entrega da declaração anual. Nesses casos, o contribuinte tecnicamente tem direito a reaver o que pagou a mais, mas, na prática, dependia de saber disso e de declarar por conta própria para reaver o valor.

O cashback inverte essa lógica: a própria Receita cruza os dados que já possui (folha de pagamento, informes de rendimento, e-Social) e gera, de forma automática, uma declaração simplificada em nome do contribuinte elegível. Se o resultado apontar valor a restituir, o pagamento é feito sem que a pessoa precise fazer nada.

Quem tem direito

Segundo a Receita Federal, o lote especial é destinado a quem atende, cumulativamente, a todos estes critérios:

Atenção: este lote especial não substitui nem se confunde com os quatro lotes regulares de restituição do IRPF 2026 (para quem declarou normalmente). São calendários, públicos e regras completamente diferentes.

Base legal

A ordem de prioridade dos lotes regulares de restituição segue o art. 16-A da Lei nº 9.250/1995 e a Instrução Normativa RFB nº 2.255/2024. Já os critérios de obrigatoriedade de declaração do IRPF 2026 (que definem, por exclusão, quem pode entrar no lote especial) estão na Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026. Vale como referência para quem precisa citar a norma em pareceres, comunicações a clientes ou material interno.

Não foi contemplado? O que fazer

Se você acredita que tem direito a restituição, mas não apareceu no cashback — por exemplo, por não ter chave Pix vinculada ao CPF até o prazo, ou por ter valor a restituir acima de R$ 1.000 — o caminho é enviar uma declaração de IRPF referente ao exercício correspondente, usando o Programa Gerador da Declaração disponível no site da Receita. Esse processo não é automático e depende de iniciativa do contribuinte.

Também vale lembrar: quem estava efetivamente obrigado a declarar e não entregou a declaração dentro do prazo está sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. O cashback não perdoa essa obrigação para quem se enquadrava nos critérios de obrigatoriedade — ele vale exatamente para quem estava fora deles.

Passo a passo para consultar

Cuidado com golpes

A Receita Federal reforça: não há qualquer contato por telefone, SMS, WhatsApp ou e-mail para confirmar dados, e não existe cobrança de taxa, Darf ou boleto para liberar o valor. Toda a movimentação acontece exclusivamente pelos canais oficiais.

Fontes: Receita Federal (gov.br/receitafederal), Lei nº 9.250/1995, Instrução Normativa RFB nº 2.255/2024, Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026.