O Banco Central mudou as regras de quem pode usar os dados do seu Pix
Toda vez que você autoriza um aplicativo a "ver" seu extrato ou puxar seus dados de outro banco, isso passa pelo Open Finance — o sistema que deixa bancos, fintechs e cooperativas trocarem informações financeiras entre si, sempre com a sua autorização. Em 22 de outubro de 2026, o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovaram a Resolução Conjunta nº 21, que aperta as regras de segurança e transparência desse sistema.
Open Finance, rapidinho
Pensa assim: o Open Finance é o que permite que, ao usar um app de organização financeira, você veja o saldo do banco A e do banco B na mesma tela, sem precisar entrar em dois aplicativos. Pra isso funcionar, as instituições compartilham seus dados entre si — e é exatamente esse compartilhamento que a nova resolução deixa mais rígido.
O que muda de fato
- Consentimento específico por parceiro — não basta mais autorizar de forma genérica; você vai precisar autorizar o compartilhamento com cada empresa parceira, individualmente
- Mais fiscalização das parcerias — as instituições que compartilham seus dados passam a monitorar com mais rigor quem recebe essas informações
- Suspensão em caso de risco — se houver risco à segurança, o compartilhamento de dados pode ser interrompido
- Mais transparência — você passa a ter acesso a informações mais claras sobre quem está usando seus dados e para quê
- Diretoria no banco dos réus — diretorias e conselhos de administração das instituições participantes ganham responsabilidade mais clara sobre o cumprimento dessas regras
Por que isso importa mesmo se você não é banco
Se você usa qualquer app que te pediu pra "conectar sua conta" — organizador financeiro, agregador de investimentos, corretora, maquininha de cartão — seus dados já passam pelo Open Finance. A boa notícia é que essa resolução trabalha a seu favor: menos autorização genérica, mais obrigação de quem recebe o dado explicar o que faz com ele, e a possibilidade de cortar o compartilhamento se algo parecer arriscado.
Se você tem uma fintech, um app de pagamento ou presta serviço pra quem tem
Aqui a conversa muda. Se a sua empresa participa do Open Finance — seja como instituição financeira, seja como parceira que recebe dados de clientes através de outra instituição —, essa resolução te atinge direto: você precisa revisar os contratos de parceria, os fluxos de consentimento e a forma como comunica o uso dos dados aos seus próprios clientes.
O que fazer agora
- Se você é usuário — não precisa fazer nada agora, mas fique atento a pedidos de consentimento mais específicos nos apps que usa
- Se você tem uma fintech ou empresa parceira no Open Finance — revise seus contratos de parceria e os termos de consentimento que seus clientes assinam
- Se você usa dados de clientes recebidos via Open Finance — confirme se sua empresa está preparada pra justificar e documentar esse uso, porque a fiscalização ficou mais rígida
Quer receber isso direto no seu e-mail?
Toda vez que sair uma notícia tributária, jurídica ou de gestão relevante, você recebe primeiro.