Leactis LEACTIS BLOG
← Voltar ao blog
Reforma Tributária · Imposto Seletivo · 19 de outubro de 2026 · 4 min de leitura
TributárioGestão

O IPI ia sumir em janeiro — mas o governo quer trazer ele de volta

Pessoa calculando impostos com calculadora e documentos financeiros
O Ministério da Fazenda estuda uma PEC pra manter o IPI vivo por mais algumas semanas em cigarro, bebida, carro e mineração — pra tapar o buraco que o próprio atraso do Imposto Seletivo criou.

Lembra do imposto que nem o governo sabia quanto ia cobrar? A história ganhou mais um capítulo. Pra evitar que cigarro, bebida alcoólica, carro e outros produtos fiquem sem pagar nenhum imposto específico logo no início de 2027, o Ministério da Fazenda estuda mandar ao Congresso uma PEC — uma mudança na Constituição — pra manter o IPI vivo por mais algumas semanas só nesses produtos.

O buraco que a própria reforma criou

A reforma tributária já reduziu a zero a alíquota do IPI pra maioria dos produtos a partir de janeiro de 2027 — a ideia era simples: o IPI sai de cena e o Imposto Seletivo entra, taxando só os produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente. O problema é que, como já contamos por aqui, o governo perdeu o prazo pra publicar a Medida Provisória com as alíquotas do Imposto Seletivo — ela deveria ter saído até 2 de outubro, mas foi segurada até depois da eleição.

E isso trava tudo: pela regra da noventena (nenhum imposto novo pode começar a valer antes de 90 dias da norma que o cria), mesmo que a MP saia assim que o segundo turno terminar, o Imposto Seletivo só consegue começar a ser cobrado em fevereiro de 2027 — não em janeiro, como estava previsto. Resultado: o IPI já foi embora, mas o Seletivo ainda não chegou. Janeiro inteiro ficaria sem nenhum dos dois.

Quem entra na mira da PEC

A proposta em estudo não é pra manter o IPI em toda a indústria — só nos segmentos que vão migrar pro Imposto Seletivo:

Importante: enquanto durar essa fase de transição, a ideia do governo é calibrar as alíquotas do Imposto Seletivo pra manter a mesma carga que o IPI já cobra hoje desses setores — ou seja, não é pra pesar mais a mão, é só pra não deixar um mês sem cobrança nenhuma. Alíquotas diferenciadas de verdade só viriam a partir de 2028.

Quanto isso vale

Tem número concreto envolvido: o atraso do Imposto Seletivo, por si só, já deve tirar R$ 3,82 bilhões da arrecadação federal em 2027 — cerca de 9% dos R$ 41,9 bilhões que o governo espera arrecadar com esse imposto no ano, segundo o próprio orçamento enviado ao Congresso. É esse buraco que a PEC do IPI tenta tapar.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Sindicerv (sindicato da indústria de cerveja) já se reuniram com a Receita Federal sobre o assunto, buscando mais previsibilidade pras empresas dos setores afetados.

O que fazer agora

Seu produto pode ficar na brecha entre o IPI e o Seletivo

Mapeamos se o seu negócio está exposto a essa indefinição entre o fim do IPI e o início do Imposto Seletivo, e montamos o plano pra reagir rápido assim que a PEC e a MP saírem do papel.

Falar com a Leactis →
Enquanto a regra não sai, quem já mapeou a exposição chega na hora da definição sem susto.
Fontes: Valor Econômico (via Portal da Reforma Tributária, 15 de outubro de 2026); Contábeis (19 de outubro de 2026); Lei Complementar nº 214/2025; Emenda Constitucional nº 132/2023; Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.