A conta real da CBS: seu preço vai subir mais do que você imaginava
A gente já te contou que o TCU aprovou a alíquota de referência da CBS em 11,3% pra 2027 — bem acima dos 9% que todo mundo esperava. O que saiu nos últimos dois dias é a parte que interessa de verdade pro seu bolso: quem presta serviço vai sentir isso muito mais do que quem vende produto, e o tamanho da conta pegou até especialista de surpresa.
Por que o prestador de serviço perde mais
Hoje, se você tá no lucro presumido — boa parte dos escritórios, consultórios, salões e prestadores de serviço em geral — você paga PIS/Cofins "em cascata", numa alíquota cumulativa de 3,65%. Com a CBS, essa conta nominal sobe pra 11,3%: mais do triplo.
A CBS promete devolver parte disso em forma de crédito — mas esse mecanismo favorece muito mais quem compra bastante insumo (como indústria) do que quem "quase não compra nada", caso típico de advocacia, consultoria, estética e outros serviços. Ou seja: na prática, o desconto ajuda menos justamente quem mais precisava dele.
Profissão regulamentada tem desconto — mas não salva
Pra 17 categorias de profissão regulamentada (engenheiro, advogado e afins), a lei prevê um desconto de 30% sobre a alíquota de CBS e IBS. Parece bom, mas uma tributarista ouvida pela imprensa chamou isso de "Black Friday ruim": o desconto existe, mas a alíquota final continua bem mais alta do que os 3,65% de hoje — ela mais do que dobra, mesmo com o abatimento.
E o Simples Nacional?
Quem é do Simples não entra direto nessa conta de 11,3% — o regime tem suas próprias regras de transição. Mas um dos próprios ministros do TCU chamou atenção, na sessão de aprovação, pro risco de 24 milhões de micro e pequenos empresários perderem competitividade, porque têm mais dificuldade de gerar crédito do que empresa grande. Vale ficar de olho, mesmo que a regra específica ainda não tenha pegado o Simples em cheio.
O tamanho do problema: pode ser o maior imposto de consumo do mundo
Juntando a CBS de 11,3% com a estimativa (ainda não oficial) de 18,7% pro IBS, tributaristas calculam que o IVA brasileiro — a soma dos dois novos impostos — pode chegar a 30%. Pra comparar: a proposta original da reforma era de 26,5%, e a média dos países da OCDE fica em torno de 19,7%. Se esses números se confirmarem, o Brasil pode assumir, segundo ranking citado pela imprensa, o posto de maior IVA do mundo.
O prazo está apertado
- Até 15 de dezembro — o Senado precisa decidir se mantém, reduz ou ajusta os 11,3%. Se não decidir, a alíquota do TCU entra em vigor automaticamente.
- 1º de janeiro de 2027 — a cobrança começa, teste ou não teste.
- Pouco mais de duas semanas — é o tempo que sobra pra se adaptar, se o Senado decidir só no limite do prazo. Especialistas já falam em questionamento judicial por não respeitar o prazo normal de 90 dias de antecedência.
O que fazer agora
- Reveja seu orçamento pra 2027 — se você já fechou contrato de longo prazo, a conta pode ficar bem diferente do que foi combinado
- Entenda seu regime — lucro presumido prestador de serviço é quem mais sente; Simples tem regra própria
- Mapeie seus créditos — quanto menos insumo você compra, menos o desconto da CBS te ajuda, e mais precisa planejar preço
- Não espere dezembro — o prazo pode fechar no limite, e sistemas e contratos não se ajustam da noite pro dia
Sabe quanto a CBS de 11,3% vai pesar no seu preço?
Criamos o Diagnóstico de Adequação à Reforma Tributária: calculamos o impacto real da CBS no seu regime, revisamos seus créditos possíveis e te ajudamos a reprecificar antes que o prazo do Senado feche.
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